CRONOBIOLOGIA DO SONO

Pedro Carlos Primo

 

Existem duas fases principais do sono: fase NREM (movimento ocular não rápido) REM (movimento ocular rápido). As duas fases ocorreram em ciclos bastantes regulares durante uma noite de sono; os vários estágios e fases do sono estão relacionados com tipos característicos de atividade elétrica cerebral (mostrada por EEG) respiração, ritmos cardíacos e ações musculares, incluindo movimentos oculares.

 

Depois de um certo tempo acordado: estágio de sono, chamado de 0, o sono começa com o sono NREM e exibe 4 estágios.

 

Estágio 1: A musculatura relaxa, as pálpebras se fecham e os olhos começam a se virar de um lado para outro. A voltagem do EEG diminui e a freqüência aumenta.

 

Estágio 2: Os músculos oculares virtualmente cessam e aparecem os espículos do sono, características no EEG.

 

Estágio 3: A freqüência dos ondas do EEG diminui e a amplitude aumenta.

 

Estágio 4: A freqüência das ondas grandes atinge um numero quando o indivíduo atinge o sono profundo.

O sono REM caracterizado por atividades EEG irregular, rápida de baixa voltagem, surge depois do sono NREM e corresponde a 25% do tempo de sono total, os sonhos ocorrem no sono REM. Durante uma noite de sono o ciclo se repete em torno de 4 a 6 vezes.

 

O sono do adulto é na maior parte nos estágios 2 e 4 NREM, crianças nos estágios 3 e 4 e os adultos mais velhos passam um tempo menor nesses estágios; recém-nascidos passam um terço de seu dia e metade do seu sono no estágio REM- esta proporção elevada diminui provavelmente com o amadurecimento. O sono REM é uma fase ativada, durante a qual o padrão de ondas no EEG é semelhante a vigília porém a pessoa está totalmente adormecida, por isso é conhecido como sono profundo.  Há estudos que diz que o mecanismo do sono REM é um estado endógeno de estimulação para o SNC, a redução aguda do REM,  com o desenvolvimento pode significar que o cérebro maduro tem menor necessidade de estimulação endógena, (Roff Warg 1966).

 

A American Sleep Disorders dividiu os transtornos do sono em vários tipos e identificou 84 tipos de sono separados. As principais categorias de transtornos do sono são:

 

1.      Transtornos do sono intrínseca

Os que se originam do próprio organismo, incluindo os narcolepsia, apnéia do sono síndrome das pessoas inquietas, certas formas de insônia e outros transtornos.

 

2.      Transtornos do sono extrínsecas

Os que se originam ou se desenvolvem a partir de causas fora do organismo. Fatores externos são partes integrantes na produção destes transtornos do sono e a solução dos fatores externos leva à resolução dos transtornos do sono. Esta categoria inclui transtornos do sono induzido por álcool e transtornos de hábitos e práticas de sono.

 

3.      Transtornos ritmo circadiano do sono

Inclui o “Jet Lag”, transtornos do sono por turnos no trabalho e desvios na fase de sono: estes transtornos são caracterizados por uma ruptura do relógio biológico em que existe um “desalinhamento entre o padrão do sono do paciente e o desejável ou considerado maioria social”.

 

Classificação mais simples

Insônia (sono inadequado), Hipersônia (sono excessivo durante o dia), Parossônia (transtorno associado com estágios do sono ou acordar parcialmente).

 

Insônia

A insônia é uma queixa subjetiva de perturbação involuntária de sono em torno de sua duração, profundidade ou propriedades reparadoras.

A insônia decorre de muitas causas:

 

Fisiológicas: turno de trabalho, “Jet Lag” barulho ou luz não habitual e cama desconfortável, etc.

Psicológicas: preocupação, excitação emocional.

Físicas: dor, tosse, prurido, dificuldades respiratórias.

Psiquiátricas: transtornos de ansiedade, depressão, psicose.

Farmacológicas: estimulantes, como broncodilatadores, simpáticosmimétricos e café, betabloqueadores ou outros medicamentos (que provocam pesadelos), ou álcool.

Síndromes clínicas específicas: apnéias do sono, síndrome das pernas inquietas, mioclonia, doença aguda das montanhas “soroche”.

A insônia também pode ocorrer sem causa identificável.

Os tipos de insônia podem ser caracterizados por sua duração

Insônia transitória: dura de um a três dias, ocorrendo tipicamente em pessoas que dormem normalmente, mas que estão sobre estresse agudo ou se encontram em situações estressantes como viagem aérea a uma região com outro fuso horário, internação hospitalar etc.

Insônia breve: dura de três dias a três semanas e geralmente está associada a estresse situacional relacionado ao trabalho e vida familiar ou a uma doença clínica grave.

Insônia prolongada: dura mais de três semanas e freqüentemente está relacionada a problemas psiquiátricos, doenças orgânicas ou situações não resolvidas etc.

A maioria dos benzodiazepínicos reduz o tempo necessário para adormecer e reduz o número de vezes que a pessoa acorda e o tempo gasto no estágio 0 de (vigília) o tempo no estágio 1 é também  geralmente reduzido enquanto para  o tempo no estágio 2 é aumentado.

Reduzem o sono nos estágios 3 e 4 – estes dois estágios são geralmente encurtados mas nos pacientes neuróticos, ou naqueles com depressão endógenas, a redução no estágio 4 do sono é acompanhado por uma diminuição dos terrores noturnos e pesadelos.

A maioria dos hipnóticos benzodiazepínicos aumenta o tempo até o inicio do sono REM (tempo de latência REM) e reduzem o tempo total do sono REM, mas o número de ciclos de sono REM, geralmente é aumentado, principalmente no final do período de sono.

Os benzodiazepínicos são eficazes contra ansiedade e transtorno do sono que freqüentemente ocorrem em pacientes que também estão sofrendo de depressão maior, transtorno do pânico, TOC, e outras condições psiquiátricas.